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Blog criado pelo jovem Picuiense Alex Farias, 20 anos, Bacharelando em Direito pelo Centro Universitário do Rio Grande do Norte (UNI-RN), Escritor, Poeta e Cordelista. Tem o objetivo de mostrar ao mundo, através desse meio de comunicação tão amplo, ao qual chamamos de Internet suas criações, bem como de amigos,em poemas, poesias, cordeis, contos, crônicas, paródias e várias outras vertentes da literatura. Amigos,sejam todos muito bem vindos ao "Versando com Alex Farias".

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

O poeta e o aprendiz: Ferreira Gullar e Wellyson Marlon Jr. frente a frente


 O poeta e o aprendiz: Ferreira Gullar e Wellyson Marlon Jr. frente a frente

O maior poeta vivo do Brasil e prêmio Camões 2010 – a mais importante distinção dada a um escritor de língua portuguesa -, Ferreira Gullar, 81, recebeu em seu apartamento, no Rio de Janeiro, o picuiense Wellyson Marlon Jr., 22. Um encontro premeditado pelo jovem há anos. No último dia 30 após desembarcar no aeroporto do Galeão, o picuiense Wellyson não hesitou em procurar o poeta Gullar em sua residência, à rua Duvivier, em Copacabana. A ousadia lhe custou um livro de presente, Rabo de Foguete Os Anos de Exílio, uma revista e um livro autografados, e um excelente bate-papo cabeça de mais de uma hora sobre literatura, arte, ciência, política, memórias, religião, Deus, ABL, José Sarney, Oscar Niemeyer, Fidel Castro, Socialismo, Comunismo, Capitalismo, mundo, enfim.

O poeta Ferreira Gullar é lido com voracidade pelo picuiense Wellyson Marlon Jr. desde seus 17 anos. Do primeiro livro de poesia, Um pouco acima do chão, ao último, Em alguma parte alguma. São treze livros lidos e relidos incontáveis vezes. Passando, é claro, pelo famoso e premiado Poema Sujo, de 1975, - com mais de cinquenta páginas e mais de dois mil versos - escrito no exílio em Buenos Aires durante a ditadura militar do Brasil, considerado por Vinícius de Moraes, “o mais importante poema escrito em qualquer língua nas últimas décadas”. E segundo o grande crítico literário Otto Maria Carpeaux o Poema Sujo deveria chamar-se “Poema Nacional, porque encarna todas as experiências, vitórias, derrotas e esperanças do homem brasileiro”. Tamanho o impacto que produziu, à época, e ainda produz, que o diga o aprendiz Wellyson. Sem falar também da leitura incessante de parte da prosa: ensaios, crônicas, artigos e textos aleatórios.

Em 2011 Wellyson escreveu o poema Pulsão Estelar: Vida dedicado ao seu sobrinho Kauã Nícolas e a Ferreira Gullar. Após enviá-lo ao poeta o reconhecimento foi instantâneo, seu último livro de poesia especialmente autografado para ele. O poema foi publicado pelo Correio das Artes (suplemento literário do jornal A União), em setembro de 2011. Com lançamento em João Pessoa e parte do Estado da Paraíba. Até um jornalista da Rede Globo de Televisão, George Moura, soube do poema. E agraciou Wellyson com a biografia de Gullar, escrita pelo mesmo.

“Quando vi Ferreira Gullar quase não acreditei que fosse ele, mais parecia um sonho. Então, lhe disse: ‘o senhor existe!’, Gullar riu com naturalidade, pois deve ouvir muito isso por aí.” Diz o audacioso picuiense. “Foi um encontro divino, o universo conspirou ao meu favor, tenho certeza. Não quer dizer que Gullar vá receber todos em sua casa.” Completa.

Após o primeiro encontro outros dois se sucederam. “Um dos meus heróis de adolescência acabei conhecendo facilmente. Ferreira Gullar quase que inatingível. Às vezes nem dá pra acreditar. Mas é verdade, não estou em estado feérico. Seria interessante que as pessoas comuns estivessem frente a frente com seus ídolos para entenderem o que significa pra mim.” Enfatiza, feliz, o picuiense Wellyson Marlon Jr.
17:39 Postado por Alex Farias 0

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Wellyson Marlon Jr. conhece o crítico de cinema e literatura João Batista de Brito


O picuiense Wellyson Marlon Jr. esteve na casa do crítico de cinema e literatura João Batista de Brito, um dos maiores nomes do país na área da crítica cinematográfica. João é casado com uma picuiense, Detinha, filha do ex-prefeito do município Eduardo Macedo. O encontro se deu na capital João Pessoa, aspirado há algum tempo pelas cunhadas do cinéfilo, Ninfa e Normândia, sobretudo pelo jovem picuiense que futuramente pretende cursar no Rio de Janeiro a Escola Darcy Ribeiro de Cinema, a melhor do Brasil.
Na ocasião, Wellyson contou ao crítico de cinema que a primeira vez em que ouviu alguém falar em seu nome passou despercebido. A segunda vez foi através do diretor de fotografia João Carlos Beltrão, durante as gravações de O Contador de Filmes — curta do cineasta paraibano Elinaldo Rodrigues, o qual aborda a vida do cinéfilo picuiense Ivan Cineminha, uma verdadeira enciclopédia ambulante da sétima arte moderna. O documentário foi rodado, em parte, na cidade de Picuí, em 2010. Inclusive, o filme encerra coincidentemente com Wellyson dando um depoimento sobre sua relação pessoal com o cinema do ponto de vista local. João é um dos personagens desse documentário paraibano, premiadíssimo em festivais, tendo também o traduzido para o inglês.
Wellyson ficou encantado ao saber da figura intelectualizada de João. Então, certa vez perguntou ao amigo, professor universitário e escritor picuiense Carlos Cartaxo (prêmio Jabuti de literatura) se conhecia o tal de João Batista de Brito: "É um dos caras mais geniais que conheço. Já leu Shakespeare em inglês. Conhece cinema como poucos. Também crítico de literatura. Professor aposentado da UFPB. E um intelectual de marca maior.” Wellyson arrancou risos de João ao dizer o que pensou enquanto Cartaxo lhe dizia: “Tenho que pegar esse cara pra ser meu amigo!”
João é o autor de Imagens Amadas, publicado no ano do centenário do cinema, este livro está dividido em três partes. As duas primeiras compreendem críticas de filmes, e a última, uma série de textos sobre teoria e história do cinema, com fartura de exemplos. À leitura das resenhas que compõem a primeira parte, também é possível assimilar muitos conceitos e informações teóricas, uma vez que estes são mobilizados pertinentemente para a construção das análises. O título do livro dá nome à sua coluna no suplemento literário Correio das Artes (do jornal A União) e a um blog, muito visitado no Brasil e também por internautas do exterior, o que muito lhe surpreendeu. Eis o link:http://imagensamadas.com/.
O crítico presenteou o picuiense com um de seus títulos, Um beijo é só um beijo (Minicontos para Cinéfilos), obviamente com direito à dedicatória, é claro: “A Wellyson, com apreço e todas as expectativas de João Batista de Brito, em 08.04.2012. E também assistiram juntos o documentário O Contador de Filmes, até então, inédito para Wellyson. “Não sabem o prazer e a honra que foi conhecer João. Um sujeito simples e adorável, muito embora um intelectual formidável.” Diz o picuiense maravilhado.
23:08 Postado por Alex Farias 0

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A PARTIDA

Essa semana foi marcada pela partida do escritor Wellyson Marlon Jr. Que partira em uma aventura da cidade de Picuí (PB) para o Rio de Janeiro (RJ) em busca do fortalecimento de seu sonho. Por esse mesmo motivo o mesmo se afastará durante um tempo de nosso blog, mas dentro em breve estará de volta enfim fiquem com o escrito que o mesmo nos mandou.

A partida 
Aeroporto de São Luís do Maranhão, agosto de 1951. A família Ferreira está apreensiva. Seu Newton, Dona Zizi e os oito filhos, todos se reúnem em torno de José Ribamar Ferreira. Ele partirá para a cidade grande, o Rio de Janeiro, um lugar distante, de que os Ferreira têm apenas uma vaga notícia do que seja através da Rádio Nacional. Criança, José Ribamar Ferreira acreditava que o Rio fosse não uma cidade, mas um agrupamento de conjuntos vocais — aqueles que tocavam no rádio, um caixote sonoro que fica num lugar de destaque na sala da casa. As canções dos Quatro Ases e os Anjos do Inferno davam um clima de boemia — de homens malandros com camisas listradas — às manhãs de São Luís do Maranhão. Mas agora José Ribamar Ferreira, aos 21 anos incompletos, sabe que o Rio de Janeiro é mais do que isso.
 (...) Dois anos antes, em 1949, ele já havia publicado o primeiro livro de poesia, Um pouco acima do chão. (...) Mas ele continua a ter o desejo irrefreável de escrever mais e mais. Num dos últimos versos de Um pouco acima do chão diz:

“O meu sonho mais sonhado,
meu desejo mais profundo,
já vai ser realizado:

— mandei fazer um navio
p ara dar a volta ao mundo!”

Tinha chegado a hora da partida. O som do alto-falante chama para o embarque. Dona Zizi abraça o filho e diz a frase de todas as mães: “Meu filho se cuida, come bem, toma leite e cuidado com o estômago...” Os irmãos Dodô, Adi, Newton, Nelson, Alzirinha, Concita, Norma e Consuelo olham o poeta que parte. Seu Newton, o pai, um modesto comerciante dono de uma quitanda, aproxima-se e diz: “Toma isso... É pra se você precisar...” Do dedo ele tira um anel com várias pedras de brilhantes. É a garantia possível para se o filho viesse sofrer aperto financeiro no futuro.
O jovem poeta — com sua mala e agora o anel do pai no bolso — caminha em direção à escada do avião do Lloyd Aéreo Brasileiro que fará o trajeto São Luís-Rio de Janeiro, em 10 horas. A família reunida dá adeus. Ele senta na cadeira, afivela o cinto. O avião decola. José Ribamar Ferreira lembra tudo o que deixa para trás em São Luís do Maranhão.
Deixa a Rádio Timbira (...); deixa o Grêmio Líbero Recreativo Gonçalves Dias (...); deixa a escrivaninha do seu quarto, uma dezena de livros e outros pertences pessoais que precisou vender para comprar a passagem de avião para o Rio; deixa o Manifesto Literário Antiquentista, escrito por ele e lançado com pompa no famoso Hotel Central (...); deixa a Praia do Caju, onde pescava com os amigos Esmagado e Espírito da Garagem da Bosta; deixa a Biblioteca Pública (...); deixa o susto e a dor de ter visto um operário assassinado pela polícia na repressão a um comício de Adhemar de Barros, na Praça João Lisboa; deixa os galos que cantam no quintal da casa, a croa do rio Anil e as frutas maduras na quitanda do pai.
José Ribamar Ferreira não tinha, no entanto,  deixado tudo em São Luís do Maranhão. Traz consigo uma nova identidade, um nome artístico: Ferreira Gullar.
(George Moura, in Ferreira Gullar: entre o espanto e o poema)
13:36 Postado por Alex Farias 0

quarta-feira, 25 de abril de 2012

ROTEIRO

Escritos Amados está de volta amigos confiram...



ROTEIRO
À maneira de Luís Fernando Veríssimo
  
Quarto escuro, sobre a cama um casal prestes a dormir. O silêncio é irrompido por ele:
—Amor?
—Oi?
—Você me ama?
—Amo.
—Muito?
—Muito.
—Muito como?
—Muito, ora.
—Amor?
—Oi?
—Você me ama muito?
—Muito.
—Muito mesmo?
—Sim.
—Do tamanho do quê?
—Do mundo.
—Só do mundo?
—Do universo, pronto?!
—Amor?
—Oi?
—Você me trairia com outro?
—Só não seria com outra.
—Diga se me trairia?
—Sei não.
—Como assim não sabe?
—Sei lá, acho que não.
—Acha?!
—Modo de falar, amor.
—Ah!
—Não, não trairia.
—Amor?
—Deixa de besteira, menino, vá dormir!!!

09:27 Postado por Alex Farias 0

quarta-feira, 21 de março de 2012

Sem "Escritos Amados" hoje

POR MOTIVOS DE FORÇA MAIOR, HOJE QUARTA-FEIRA, 21 DE MARÇO DE 2012, EXCEPCIONALMENTE NÃO TEREMOS POSTAGEM DA COLUNA "ESCRITOS AMADOS", MAS SEMANA QUE VÊM O WELYSSON MARLON JR. ESTARÁ DE VOLTA COM MAIS UM ESCRITO AMADO, NÃO PERCAM!
17:26 Postado por Alex Farias 0

segunda-feira, 12 de março de 2012

TODOS OS TONS DE TOM


TODOS OS TONS DE TOM

A simples notícia de que Nelson Pereira dos Santos fez um filme sobre Tom Jobim já provoca ansiedade. Afinal, é o encontro entre dois expoentes de nossa modernidade, ícones do Cinema Novo e da Bossa Nova, movimentos que, ao lado da construção de Brasília e a aparição de Pelé, modificaram para sempre o olhar sobre este país, até então conhecido como a “Terra de Zé Carioca”.
            Para não sobrar nem pau nem pedra, Nelson — que também é imortal da ABL — realizou logo dois filmes no fim do caminho. O primeiro deles, já em cartaz, é A Música Segundo Tom Jobim, um desfile de suas canções mais famosas, e vem aí, com lançamento para o segundo semestre, A Luz do Tom, baseado no livro Antonio Carlos Jobim: Um Homem Iluminado, escrito por Helena Jobim, irmã do maestro. Como o segundo filme terá depoimentos e Jobim era reconhecido como um grande papo, a continuação pode parecer mais atraente. Pode até ser. Mas em A Música Segundo Tom Jobim, a catarse é garantida.
            Autor de comentários definitivos, muita gente se deleitou com suas frases de efeito: “A melhor saída para o músico brasileiro continua sendo o Aeroporto Galeão”; “Assim como o brasileiro foi educado para perder, o americano foi educado para ganhar”; “O Brasil, definitivamente, não é para principiantes”; “Nenhuma situação é tão complicada que uma mulher não possa piorar”; “No Brasil, sucesso é ofensa pessoal” etc. Em entrevista à revista Veja, de 1988, Tom Jobim foi enérgico e categórico quando indagado de que a Bossa Nova não é música brasileira segundo alguns críticos: “A Bossa Nova é um negócio que apareceu com um baiano chamado João Gilberto, que é um cara de um talento genial. Aí vem um Paulo Francis e escreve — “A Bossa Nova é 50% jazz.” — Mentira. É um troço brasileiro que surgiu aqui com Chega de Saudade, com uma introdução tipo choro, e não tem nada de jazz.”
            Dora Jobim, neta de Tom, atuou como codiretora do primeiro longa. Ao lado do pesquisador Antonio Venâncio e auxiliada pela tia Miúcha Buarque de Holanda, que atuou como roteirista-conselheira, Dora escarafunchou o acervo familiar de filmes sobre o avô, acervos alheios e atravessou madrugadas navegando na internet atrás de imagens maravilhosas, muito bem alinhavadas pela edição. O músico Paulo Jobim, pai de Dora e diretor musical do filme, deu o parecer final sobre a qualidade acústico-musical dos vídeos e a magia se fez.
            A história musical de Tom Jobim é contada em imagens atemporais. Assim, Gal Costa vem antes de Elizeth Cardoso e Adriana Calcanhoto interpreta Ela é Carioca, composta dois anos antes de ela nascer. Por uma triste coincidência, João Gilberto não aparece (aliás, surge rapidamente tocando violão para Elizeth, em trecho do filme Pista de Grama, de 1958), pois suas imagens estão sendo utilizadas para a produção de um filme sobre ele próprio. Todavia o desfile é avassalador. Do dueto de Elis (Regina) e Tom em Águas de Março, à precisão cirúrgica do piano de Oscar Peterson em Wave ou a dramaticidade de Judy Garland em Insensatez, o filme é só surpresas.
            Nelson não utilizou palavras nem mesmo para identificar os artistas (o que ocorre, em detalhes e pausadamente, nos letreiros finais). O diretor preferiu mergulhar o público na emoção pura da composição e da interpretação, achando que as grifes poderiam atrapalhar. Bem-humorado, na entrevista coletiva, ele disse que a falta de letreiros é uma boa chance para os metidos exibirem seu conhecimento para as donzelas: “Ah, este é o Jean Sablon, aquele é o Sammy Davis Jr.!” A eterna parceria com Vinícius de Moraes, ou as inúmeras interpretações de Garota de Ipanema, entre outros momentos criam clareiras iluminadas no filme. Maravilhoso e ponto. Nada melhor que transferir à palavra ao escritor Ruy Castro que, em A onda que se ergueu no mar, sobre Tom Jobim afirmou: “ele tornou universal o seu universo”.

13:48 Postado por Alex Farias 0

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

FERREIRA GULLAR, O TRADUTOR

Saindo diretamente do forno, ai vai mais um Escrito Amado!
FERREIRA GULLAR, O TRADUTOR

As pessoas desconhecem que o poeta Ferreira Gullar é um excelente
tradutor. Então, publico dois sonetos, do argentino Jorge Luis Borges,
traduzidos por ele.

As Coisas

A bengala, as moedas, o chaveiro, 
A dócil fechadura, as tardias 
Notas que não lerão os poucos dias 
Que me restam, os naipes e o tabuleiro, 

Um livro e em suas páginas a ofendida 
Violeta, monumento de uma tarde, 
De certo inesquecível e já esquecida, 
O rubro espelho ocidental em que arde 

Uma ilusória aurora. Quantas coisas, 
Limas, umbrais, atlas e taças, cravos, 
Nos servem como tácitos escravos, 

Cegas e estranhamente sigilosas! 
Durarão muito além de nosso olvido: 
E nunca saberão que havemos ido.



Uma chave em East Lansing

Sou uma chave de limado aço.
E meu formato não é arbitrário.
Durmo o meu vago sono em um armário
Que não enxergo, presa a meu chaveiro.

Há uma fechadura que me espera,
Uma somente. A porta é de forjado
Ferro e firme cristal. Do outro lado
Está a casa, oculta e verdadeira.

Altos e na penumbra os desertos
Espelhos vêem as noites e os dias
E as fotografias dos defuntos

E o tênue ontem das fotografias.
Em dado momento empurrarei a dura
Porta e farei girar a fechadura.
21:30 Postado por Alex Farias 0

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

UNIVERSO

O poeta Wellyson Marlon Jr. trouxe mais uma vez seu lado poeta, dessa vez trouxe o poema  UNIVERSO que segue abaixo. Tenham todos uma ótima leitura.


Universo


A noite difusa (abismo espectral

de átomos em átimos) que

me torna deísta em meio

luz poeira e gases cósmicos dispersos na tessitura

sideral do céu estrelar (de Zeus? de Deus?)

— Caleidoscópio transubstancial divino do caos estruturado ordenado.






Conspirações astronômicas que se tramam

acima da humanidade feito halos especiais — no
zênite no zodíaco —

(por sobre nossas vidas

de pouca duração e muito afeto) num intenso e
radiante cromatismo

de infinitos astros fugazes que
voam e explodem

à velocidade da luz e do
som, 300 mil km/s

e 200 mil km/h, respectivos
— despercebidos
de dentro da noite veloz.



Universo controverso enigmático infinito de quinze bilhões de anos
onze dimensões

quatrilhões e quatrilhões de astros

que conforme Einstein é curvo no espaço-tempo

— flexível? esférico? feérico? —

e que segundo a teoria do Big Bang

se expande se dissipa se esvai

sem saber para quê nem porquê?!

— Isso, sem falar na hipótese de universos paralelos ou noutras teorias.







O universo é um gás dardo datado e dotado de som e movimento

— na sua própria imensidão do nada e do tudo

(que perdendo-se encontrando-se acontece na vastidão) —

que me questiona: O que seu poema

de imperceptível barulho faz aí?

mas que não hesito com êxito

em responder: Imperceptível para quem

esteja numa galáxia a 100.000 anos-luz de nós

(ou em Virgo Sírius Andrômeda)

até mesmo na Grécia ou

na Cordilheira dos Andes

onde felizmente não se encontra,

Grasiela,

sidérea e musa do meu Universo.




Wellyson Marlon Jr.


Picuí, junho de 2011
19:50 Postado por Alex Farias 0

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O POETA

Agora apresento para vocês, mais um Escrito Amado, feito pelo poeta Wellyson Marlon Jr.  Que inclusive essa semana, fora agraciado com o 1º Lugar no concurso de biografias do saudoso Dr. Felipe Tiago Gomes. PARABÉNS Wellyson, isso vai render entrevista em? No mais desejo uma ótima leitura a todos.


O POETA

Devo mostrar aos meus leitores meu lado de poeta, através do poema
premiado com o livro Em alguma parte alguma, de Ferreira Gullar. E
publicado no suplemento literário Correio das Artes, vinculado ao
jornal A União, em setembro de 2011. É um poema contemporâneo:

PULSÃO ESTELAR: VIDA

(Depois de ter assistido o poeta Ferreira Gullar em entrevista ao
programa Roda Viva, da TV Cultura. Em 28/02/2011)

Para Ferreira Gullar e Kauã Nícolas

“Pretendo que
a poesia tenha a virtude de, em meio ao sofrimento e ao desamparo,
acender uma luz qualquer. Uma luz que não nos é dada, que não desce
dos céus, mas que nasce das mãos e do espírito dos homens”.

Ferreira Gullar

Alguns dias
trazem – naturalmente –
em seus bojos (a me levarem junto)
uma depressão habitual
não-periódica que dentre flores (açucena e jasmim)
feito clitóris me excita
encara consome mas não
me subestima antes
dialoga comigo.


Quando em paralelo,
kauã – de um aninho de vida
lindo e gostoso riso – procura algo
a mexer com encantamento (em plena
avenida castelo branco na via-láctea) e encontra
o livro de poemas do gullar
– um lampejo entre mãos inocentes –
para descobri-lo na sua essência
não para rasgá-lo (sem sequer
saber que
a paixão existe
com sua beleza entre
nuvens e vaginas
pulcras púrpuras pujantes
a encantar ou vulvas
abertas para o sono
para o sonho
para carícias



para a vida
com flores chocolate joias
como presentes
repletos de amor poesia carinho
e corações decorativos,
o doce penetrar
na mulher amorosa
o implacável sistema
a revolução feérica e feroz).
Enquanto
a síndrome do coração-
partido ou crise existencial me invade
feito balé-bolshoi em
uma sensação contrária:
não de cometer autocídio mas
nem de ter outrora havido
em meio frustrações
perplexidades indagações (de hoje? justas?
de deus? da vida?)
do homem (que ama
sonha protesta luta perde vence
tortura-se
suicida-se com um tiro
no peito mas
não morre pois
entra pra história)
em relação à vida
condição humana
existência que num frêmito
aceno não se esvai
assim tão fácil nem difícil
– que faço entre coisas?
– de que me defendo?
pare o mundo que eu quero
descer!
Porém
num clarão surge fúlgido
fúlvido fulgural
numa flutuante flâmula
numa flama flamante flamejante
a cintilar-me:
Ferreira Gullar
– um dos meus heróis
num rol de dois ou três –
o maior poeta
vivo o poema
personificado o
brilhante pensador
meu herói em minha tevê
(entre sons e imagens quase
ao alcance das mãos eufóricas).
É que os poetas são as coisas boas da vida
um dia (não sei bem quando)
me enlouqueci por Gullar (com gula)
– que me perdoem os outros poetas –
até porque
nos apaixonamos pelos poetas
que se parecem conosco:
“a gente escreve para fugir do sofrimento”
“a religião serve para responder a todas as perguntas que não têm respostas”
“o poema surge do espanto”
e que
“a arte existe porque a vida não basta”.
Súbito um estalo de vida
explode em meu coração
numa cintilação intensa
num incêndio esplêndido
num indissipável brilho
num banho de purificação
por sobre meu espírito
meu corpo
num lampejo de sonho
e esperança
22:36 Postado por Alex Farias 0

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"ESCRITOS AMADOS"

E é com imenso prazer que hoje publico em meu blog o primeiro "Escrito Amado" do jovem escritor Wellyson Marlon Jr. Desejo a todos uma ótima leitura.


“ESCRITOS AMADOS”

Ao receber o convite de Alex Farias foi sem hesitação (e com euforia) que aceitei a incumbência de assinar uma coluna em seu blog. Tenho necessidade em escrever, não por gosto e opção apenas. A escrita é, para mim, uma fuga do sofrimento, uma libertação. Sou cronista – bom ou mau –, logo, devo escrever para as pessoas, muito embora para um público seleto de leitores.

Há uma luta cotidiana (antipoética) pela sobrevivência que vai em contraposição à beleza da vida, portanto, escrevo. Acredito que o meu oficio é a escrita. Então, busco um perfeccionismo no texto que me leva a não conseguir desvencilhar-me da terrível preocupação formal, da lapidação quase obsessiva à procura de palavras e citações. Insisto na insensatez de atribuir a tudo que escrevo, ao mais simples escrito, a força da beleza criadora, o brilho dessa luz que dança sobre a harmonia de toda e qualquer obra de arte para ser, enfim, plenamente consumada. Talvez agora o leitor possa compreender o porquê do titulo “ESCRITOS AMADOS”.

Os leitores encontrarão em meus “ESCRITOS AMADOS” uma gama de assuntos diversos: teatro, cinema, teledramaturgia, literatura, arte e cultura (de maneira especial), e até personalidades interessantes que dão excelentes crônicas. Ah, tenho que falar um pouco sobre mim: escrevo, além de textos em prosa, poesia sob o pseudônimo de Wellyson Marlon Jr. Tenho 22 anos de idade. Pretendo cursar Artes Cênicas e Cinema. Morar no Rio de Janeiro. Agradar aos leitores da coluna “ESCRITOS AMADOS”. E, entre outras coisas, ser feliz!

Eu não sou do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Eu sou do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.
17:34 Postado por Alex Farias 0